Em recente conferência realizada em Barcelona/ESP, o filósofo Byung-Chul, falou sobre as redes sociais - com as quais é muito crítico. Porém, com muita profundidade e bastante precisão, fez uma abordagem muito realista.

E quando fala do assunto, o autor não se interessa tanto pela análise das causas, e sim, pelas mudanças que produziram em nossas vidas. Com o que é muito fácil que o leitor se identifique imediatamente.
Ele fala sobre a indignação a nos expormos nas redes sociais; um hábito péssimo - comparado à pornografia e que é, contagioso e fictício. Essa transparência, na verdade é enganosa.

Diz ainda mais: "Hoje o indivíduo se explora e acredita que é civilização", não se trata de uma frase provocadora; pensada para chamar a atenção, e sim, de uma ideia que se repete constantemente.

A nossa indignação digital não serve para nada, porque preferimos teclar em vez de agir.

O autor sul coreano Byung-Chul, recorda que as redes sociais só se dispõem a nos apresentar aquelas partes do mundo que nos agradam. Ou seja, essa interconexão digital, afinal não facilita o contato com os outros, pois serve apenas para encontrar pessoas iguais e que pensam igual. Fazendo-nos passar longe dos desconhecidos e de quem é diferente de nós.

A consequência disso, é que nosso horizonte de experiências "se torna cada vez mais estreito".

O efeito dessa exposição constante nas redes sociais, nos conduz a um modelo de prisão em que o vigilante sempre podia observar todos os detentos; hoje, todos somos ao mesmo tempo vigilantes e vigiados..."O grande irmão digital transfere seu trabalho aos reclusos".

Prossegue o filósofo Byung-Chul...as redes geram um efeito de conformidade, como se cada um vigiasse o outro, e isso é um autêntico fenômeno da comunicação social, é um verdadeiro linchamento.

Nesta mobilização aglutinada pelas redes sociais, não há comunicação real e nenhuma identificação com a comunidade. Gera muito ruido, mas nenhuma voz, nenhum público articulado.
As multidões indignadas são fugazes e dispersas -"enxames de unidade simples".

Nós compartilhamos todo tipo de informação nas redes: nossas opiniões, nossas fotos, nosso currículo; "Sem saber quem, nem o que, nem quando, nem em que lugar se sabe de nós".

Ou seja, somos explorados não só durante o tempo de nosso trabalho e de tudo o que cedemos. Cedemos a nossa pessoa, a atenção total; inclusive a própria vida.
Fazemos isso tudo, alem do mais, de foma voluntária e gratuita.

O big data, pode até ser pior do que o big brother, pois não esquece nada. 
Qualquer erro ou indiscrição, continuará aparecendo no google daqui a décadas.

Vivemos em um "choque do presente".

O nosso dia a dia se organiza em torno das notificações do celular, sem nos permitir nem um só momento vazio...finaliza o filósofo sul-coreano Byung-Chul Han.


Por Adriano Bossi - matéria compilada do jornal El País - Edição brasileira.

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