Antigamente, os trens de passageiros da Central do Brasil - EFCB, que por aqui circulavam e paravam na estação ferroviária, no horário do almoço e do jantar, proporcionavam intensa movimentação. Era uma verdadeira festividade.
E, meia hora antes da chegada do trem, começavam os preparativos: o senhor Trombini, que servia café na estação, saía de sua casa na Rua de Baixo e era seguido por seus fieis ajudantes - Piaba (com o tabuleiro), Tijolo (com o bule gigante), Mico (com os copos e canecas), Tal (com os salgados), Moge (com a mesa sobre a cabeça) e o Pedro (com outros utensílios). Era um cortejo diário e solene.
Ainda na Rua de Baixo, tinha a Pensão da Patrocínia - que se posicionava estaticamente com uma das mãos à cintura, esperando os fregueses. A pensão era, onde hoje, se encontra o escritório de contabilidade.
Na Rua de Cima - onde o Museu Casa de Guimarães Rosa, veio a funcionar, tinha a Pensão da Lourdes (esposa do velho alfaiate Juventino), ela, de cima da escadinha, onde os meninos vendiam frutas e engraxavam os sapatos, gritava bem alto - Venham prá cá que a minha comida é boa!
Ao lado da Dona Lourdes, existia o Argentina Hotel, que era o mais chique da cidade. O nome do mesmo, não se referia ao país vizinho e sim à proprietária, Argentina Saraiva Viana. Neste hotel, hóspedes famosos por ali pernoitaram, dentre os quais, o Presidente JK, o Presidente Castelo Branco, Governador Israel Pinheiro e os músicos da Orquestra Cassino de Sevilha.
Logo a seguir ou melhor dizendo, antes do Argentina Hotel, na mesma rua, o Bar do Abel, onde a turma se juntava para jogos à valer, os condutores do trem (maquinista, foguista, chefe do trem, atendente do carro restaurante e o guarda-freios) se aproveitavam desta parada para o almoço e participavam da jogatina entusiasticamente.
Diante de tantos fatos marcantes, a "Parada do Trem", se transformava em uma grande festa. E que festa!
Cordisburgo antiga e do passado, de muitas histórias, casos e causos pitorescos, que muitos vivenciaram e outros, nem tanto.
Reportagem Adriano Bossi e colaboração do historiador Brasinha

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