Os eleitores de Cordisburgo foram às urnas neste domingo, 4 de outubro, para escolher presidente da República, governador, dois senadores, deputado federal e deputado estadual. Com a totalização concluída, os números mostram comportamentos bastante diferentes de acordo com cada cargo e revelam que o município não seguiu uma única corrente partidária em suas escolhas.
Ao todo, 5.451 eleitores compareceram às urnas, enquanto 1.429 não votaram, o que representa abstenção de 20,77%. O eleitorado considerado na totalização era de 6.880 pessoas, resultando em comparecimento de aproximadamente 79,23%.
Lula vence em Cordisburgo por apenas 210 votos
A disputa mais equilibrada entre os principais cargos ocorreu para a Presidência da República.
Lula (PT) terminou em primeiro lugar em Cordisburgo, com 2.520 votos, equivalentes a 48,60% dos votos válidos. Flávio Bolsonaro (PL) recebeu 2.310 votos, ou 44,55%.
A diferença entre os dois foi de apenas 210 votos e 4,05 pontos percentuais.
Em terceiro lugar apareceu Augusto Cury (Avante), com 157 votos e 3,03%.
Foram registrados 5.185 votos válidos para presidente, além de 127 votos em branco e 139 nulos.
Cordisburgo apresentou ainda um comportamento diferente do observado no conjunto de Minas Gerais e do país. Em Minas, Flávio Bolsonaro terminou o primeiro turno à frente de Lula, enquanto nacionalmente também obteve a maior votação: 47,03% dos votos válidos contra 45,16% do atual presidente. Os dois avançaram ao segundo turno.
Vantagem de Lula cai de 818 para 210 votos em quatro anos
A comparação com a eleição presidencial de 2022 mostra uma mudança significativa no equilíbrio eleitoral dentro do município.
No primeiro turno de 2022, Lula havia recebido 2.914 votos, ou 54,07%, enquanto Jair Bolsonaro (PL) obteve 2.096 votos, ou 38,89%. Naquele ano, portanto, a diferença foi de 818 votos e 15,18 pontos percentuais.
Quatro anos depois, Lula recebeu 394 votos a menos no município, enquanto o candidato presidencial do PL, agora Flávio Bolsonaro, conquistou 214 votos a mais do que Jair Bolsonaro havia obtido no primeiro turno de 2022.
Com isso, a distância entre os dois primeiros colocados caiu de 15,18 para apenas 4,05 pontos percentuais, uma redução de 11,13 pontos.
A comparação não significa que votos tenham migrado diretamente de um candidato para outro, mas mostra que a eleição presidencial ficou consideravelmente mais equilibrada em Cordisburgo.
Cleitinho ultrapassa 54% para governador
Se a eleição presidencial foi apertada, a disputa pelo Governo de Minas apresentou um quadro bastante diferente.
Cleitinho Azevedo (Republicanos) recebeu 2.733 votos em Cordisburgo, alcançando 54,70% dos votos válidos. Patrus Ananias (PT) ficou em segundo lugar, com 1.079 votos e 21,60%, enquanto Mateus Simões (PSD) somou 776 votos e 15,53%.
A diferença entre Cleitinho e Patrus chegou a 1.654 votos e 33,10 pontos percentuais.
Foram registrados 4.995 votos válidos para governador, além de 266 votos em branco e 189 nulos.
O desempenho de Cleitinho no município ficou próximo do resultado obtido em todo o estado. No conjunto de Minas Gerais, ele conquistou 55,4% dos votos válidos e foi eleito governador no primeiro turno.
Carlos Viana lidera para o Senado em Cordisburgo, mas fica fora das duas vagas no estado
Na disputa pelo Senado ocorreu uma das diferenças mais marcantes entre a votação de Cordisburgo e o resultado geral de Minas Gerais.
Como duas cadeiras estavam em disputa, cada eleitor podia votar em dois candidatos diferentes para senador.
Em Cordisburgo, Carlos Viana (PSD) foi o mais votado, com 2.654 votos e 29,22% dos votos válidos contabilizados para o cargo.
Domingos Sávio (PL) ficou em segundo no município, com 1.772 votos e 19,51%, enquanto Marília Campos (PT) apareceu na terceira posição, com 1.570 votos e 17,29%.
Carlos Viana terminou, portanto, 882 votos à frente de Domingos Sávio em Cordisburgo.
No resultado estadual, entretanto, a ordem foi diferente. Domingos Sávio e Marília Campos conquistaram as duas vagas de Minas Gerais no Senado, com 24,21% e 19,44% dos votos válidos, respectivamente. Carlos Viana terminou em terceiro no estado.
Considerando as duas escolhas disponíveis para cada eleitor, Cordisburgo registrou 9.082 votos válidos para o Senado, além de 820 votos em branco e 1.000 nulos.
Samuel Viana conquista maioria dos votos para deputado federal
A disputa para deputado federal apresentou uma das maiores concentrações de votos do município.
Com a totalização encerrada, Samuel Viana (União) foi o candidato a deputado federal mais votado em Cordisburgo, com 1.804 votos, correspondentes a 36,21% dos votos válidos.
Em segundo lugar ficou Nikolas Ferreira (PL), com 881 votos e 17,68%, enquanto Duílio de Castro (PSB) terminou em terceiro, com 858 votos e 17,22%.
Na sequência aparecem Newton Cardoso Jr. (MDB), com 161 votos e 3,23%, e Caio Valace (PDT), com 114 votos e 2,29%. Os dados municipais divulgados após o encerramento da apuração têm como fonte a totalização do TSE.
A diferença entre Samuel Viana e Nikolas Ferreira foi de 923 votos e 18,53 pontos percentuais. Samuel recebeu, sozinho, pouco mais que o dobro da votação do segundo colocado.
Outro dado expressivo é a concentração entre os três primeiros. Samuel Viana, Nikolas Ferreira e Duílio de Castro somaram 3.543 votos, equivalentes a aproximadamente 71,1% dos votos válidos para deputado federal no município.
A disputa entre a segunda e a terceira colocação foi muito mais apertada: Nikolas terminou apenas 23 votos à frente de Duílio.
A conclusão da totalização também alterou a ordem vista durante a noite de domingo. Quando dois terços das urnas haviam sido contabilizados, Duílio aparecia ligeiramente à frente de Nikolas. Com a entrada das últimas seções, Nikolas assumiu a segunda colocação. A diferença final, porém, permaneceu pequena.
No resultado estadual, Samuel Viana e Nikolas Ferreira foram eleitos para a Câmara dos Deputados. Duílio de Castro ficou na condição de suplente. Newton Cardoso Jr. também foi eleito.
Neilando concentra maioria dos votos para deputado estadual
A votação para deputado estadual também apresentou forte concentração em poucos candidatos.
Neilando Pimenta (Republicanos) foi o candidato mais votado em Cordisburgo, com 1.674 votos, correspondentes a 34% dos votos válidos.
Juca Bahia (PRD) ficou em segundo lugar, com 826 votos e 16,78%, seguido por Luiz Paulo (PSB), com 311 votos e 6,32%.
Depois aparecem Bruno Engler (PL), com 193 votos; Lucas Lasmar (Rede), com 152; Adriana Souza (PT), com 144; João do Social (Avante), também com 144; Ivson Gomes (PL), com 111; Beatriz Cerqueira (PT), com 105; e Júnior Sousa (União), com 58 votos.
A vantagem de Neilando sobre Juca Bahia foi de 848 votos.
Somados, apenas os dois primeiros colocados concentraram 50,78% dos votos válidos para deputado estadual. Incluindo Luiz Paulo, os três primeiros chegaram a 57,10%.
Foram contabilizados 4.923 votos válidos para o cargo, além de 352 votos em branco e 176 nulos.
Apoio das lideranças locais teve peso diferente conforme a candidatura
Além da votação absoluta, outro recorte possível é comparar o desempenho dos candidatos com a estrutura política local que declarou apoio a cada um. O levantamento considera prefeito, vice-prefeito e vereadores em exercício que tiveram apoio público identificado pela reportagem. Lideranças comunitárias, ex-políticos e outros apoiadores sem mandato são citados separadamente.
Um mesmo grupo político concentrou apoio em diferentes cargos. Neilando Pimenta, para deputado estadual; Samuel Viana, para deputado federal; Mateus Simões, para governador; e Carlos Viana e Marcelo Aro, para as duas vagas ao Senado, tiveram o apoio do prefeito Aldair Marques e de oito dos nove vereadores de Cordisburgo. Na disputa presidencial, Aldair também declarou apoio a Augusto Cury.
Os resultados, entretanto, foram bastante diferentes mesmo entre candidaturas apoiadas pelo mesmo conjunto de autoridades.
No Senado, a comparação é particularmente interessante porque Carlos Viana e Marcelo Aro foram apoiados pelo mesmo grupo de nove autoridades municipais. Carlos terminou em primeiro lugar em Cordisburgo, com 2.654 votos, ou 29,22% dos votos válidos, enquanto Marcelo recebeu 1.388 votos, ou 15,28%, ficando em quarto lugar. A diferença entre os dois foi de 1.266 votos.
Dividindo a votação apenas pelo número de autoridades que declararam apoio, Carlos registrou uma relação de aproximadamente 295 votos por autoridade apoiadora, contra 154 para Marcelo Aro. Como cada eleitor podia votar em dois candidatos ao Senado, os resultados não representam necessariamente uma escolha entre Carlos e Marcelo: um mesmo eleitor poderia votar nos dois. Ainda assim, a diferença mostra que candidaturas sustentadas pelo mesmo grupo de lideranças locais tiveram níveis bastante distintos de votação.
Samuel Viana, também apoiado pelo prefeito e oito vereadores, recebeu 1.804 votos para deputado federal, aproximadamente 200 votos por autoridade apoiadora. Neilando Pimenta, com a mesma composição de apoio, alcançou 1.674 votos para deputado estadual, cerca de 186 votos por autoridade.
Já Mateus Simões, igualmente apoiado pelas nove autoridades, recebeu 776 votos para governador, o equivalente a aproximadamente 86 votos por autoridade apoiadora. A comparação é apenas descritiva, já que candidatos de cargos diferentes possuem graus distintos de exposição, estrutura de campanha e influência do cenário estadual ou nacional.
Na disputa presidencial, Augusto Cury, que teve o apoio do prefeito Aldair Marques dentro desse levantamento, recebeu 157 votos, ou 3,03% dos votos válidos.
Em outro conjunto de apoios, Duílio de Castro contou com o vice-prefeito e um vereador, somando duas autoridades com mandato, e obteve 858 votos para deputado federal. A relação foi de aproximadamente 429 votos por autoridade apoiadora.
Luiz Paulo, Cleitinho e Domingos Sávio tiveram o apoio do vice-prefeito entre os agentes políticos com mandato considerados. Luiz Paulo recebeu 311 votos para deputado estadual; Cleitinho alcançou 2.733 votos para governador; e Domingos Sávio obteve 1.772 votos para o Senado.
João do Social, com apoio de um vereador, recebeu 144 votos para deputado estadual.
Há ainda candidaturas que não tiveram apoio identificado de autoridades em exercício, mas contaram com mobilização de outros setores locais. Juca Bahia, segundo colocado para deputado estadual com 826 votos, recebeu apoio de diferentes pessoas da comunidade, incluindo ex-políticos do município. Lucas Lasmar, com 152 votos, também teve apoio de lideranças e moradores sem mandato.
O levantamento mostra, portanto, que a quantidade de autoridades declarando apoio não se refletiu de maneira proporcional na votação das candidaturas. Mesmo candidatos apoiados exatamente pelo mesmo grupo apresentaram desempenhos bastante diferentes.
Isso não permite afirmar quantos votos determinada liderança efetivamente acrescentou a uma candidatura. O voto pode decorrer de diversos fatores, como conhecimento prévio do candidato, atuação política, campanha estadual, identificação partidária, relações pessoais e familiares ou influência de outras lideranças da comunidade. Por isso, a relação entre votos e número de autoridades apoiadoras deve ser entendida somente como um indicador descritivo da votação diante da estrutura política formal identificada pela reportagem, e não como uma medida de transferência de votos.
Votação mostra escolhas diferentes conforme o cargo
O conjunto dos resultados evidencia que Cordisburgo não reproduziu uma mesma preferência partidária em todas as disputas.
Lula, do PT, ficou em primeiro para presidente; Cleitinho, do Republicanos, liderou com ampla vantagem para governador; Carlos Viana, do PSD, foi o mais votado para senador; Samuel Viana, do União, liderou para deputado federal; e Neilando Pimenta, também do Republicanos, terminou em primeiro para deputado estadual.
Também chama atenção a diferença no grau de competitividade de cada eleição.
Na disputa presidencial, apenas 4,05 pontos percentuais separaram os dois primeiros colocados. Para governador, Cleitinho abriu 33,10 pontos de vantagem sobre Patrus Ananias.
Nas eleições proporcionais ocorreu forte concentração de votos. Samuel Viana sozinho ficou com 36,21% dos votos válidos para deputado federal, enquanto os três primeiros colocados reuniram aproximadamente 71,1%. Para deputado estadual, Neilando obteve 34%, e os três primeiros concentraram 57,10%.
Há ainda diferenças relevantes entre a preferência local e o resultado estadual ou nacional. Cordisburgo deu vitória a Lula na eleição presidencial, enquanto Flávio Bolsonaro terminou na frente em Minas Gerais e no conjunto do país. Para o Senado, Carlos Viana liderou no município, mas foram Domingos Sávio e Marília Campos que conquistaram as duas cadeiras mineiras.
Um mapa político mais fragmentado
O retrato deixado pelo primeiro turno de 2026 é, portanto, de um eleitorado que distribuiu seus votos entre diferentes partidos e candidaturas, ao mesmo tempo em que apresentou concentrações importantes nas disputas proporcionais.
Na Presidência, a principal mudança em relação a quatro anos atrás foi o estreitamento da diferença entre os dois primeiros colocados. A vantagem de Lula em Cordisburgo caiu de 818 votos em 2022 para 210 em 2026.
Para o Governo de Minas, Cleitinho conseguiu maioria absoluta dos votos válidos do município. Para o Senado, os cordisburguenses colocaram Carlos Viana em primeiro mesmo com o candidato terminando fora das duas vagas estaduais.
Já para deputado federal e estadual, as urnas revelaram votações fortemente concentradas. Samuel Viana recebeu mais de um terço dos votos válidos para federal e Neilando Pimenta alcançou proporção semelhante para estadual.
Mais do que indicar uma preferência única, os números mostram que o eleitorado de Cordisburgo fez escolhas distintas para cada cargo, combinando candidatos de diferentes partidos e apresentando comportamentos que, em algumas disputas, se afastaram do resultado geral de Minas Gerais e do Brasil.
Dados referentes ao primeiro turno das Eleições Gerais de 2026, realizado em 4 de outubro. Resultados municipais baseados na totalização da Justiça Eleitoral/TSE.







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