O Inep defende a ampliação do diálogo com as Universidades Federais e com os governos dos estados para tentar suprir a desigualdade no ensino entre escolas públicas e particulares, que ficou evidente durante o período de isolamento social.

Em uma live organizada na manhã desta sexta-feira (15), pela Evolucional, empresa especializada em simulados e avaliações para escolas privadas, o Presidente do Inep, Alexandre Lopes, apontou para a possibilidade de adiamento do Enem, mas questionou: "o que podem fazer as universidades públicas para tentar ajudar o jovem da escola pública?". Para ele, seria necessário "revisar o quantitativo de vagas nas suas políticas de cotas. O Enem é a mesma prova para todos, mas existem outros mecanismos que podem tentar ajudar a reconhecer e superar essa desigualdade."

Lopes também questionou sobre "o que os estados poderiam fazer nas suas redes estaduais de ensino, num eventual adiamento [do Enem], o que eles irão oferecer a mais, além da reposição de aula, que pode eventualmente ajudar esses alunos".

A presidente da Associação Brasileira de Avaliação Educacional (Abave) e ex-Secretária da Educação de São Paulo, Maria Helena Guimarães, que também participou da live, lembrou que "alguns [estudantes] estão passando por situações familiares muito difíceis, uns por questão de saúde, outros por renda ou porque não conseguem ter acesso a materiais de estudo. Isso cria uma angústia que dificulta muito a vida desses alunos", ao defender o adiamento do Enem.

Mediando o debate, o Diretor de Inovação Pedagógica da Evolucional, Vinícius Freaza, ressaltou que "as escolas privadas estão acontecendo, de uma forma ou de outra a coisa está andando, mas as públicas nem sempre". A Evolucional está levando para mais de 2500 escolas clientes da empresa no Brasil um Simulado Online do Enem, para que esses alunos sigam se preparando para o exame. Após a live, o especialista concordou com os pontos levantados por ambos e que medidas de preparação para suprir a desigualdade de acesso aos conteúdos devem ser traçados para alunos de escolas públicas.

A respeito da digitalização do Enem, Lopes defende que "ao fazer uma prova digital, a gente consegue fazer várias provas ao longo do ano. Hoje o jovem só tem uma data pra fazer a prova, ele sabe que é em novembro. Não conseguiu? Tem que esperar novembro do ano que vem. O aluno vai chegar no futuro, entrar no computador e escolher quando ele quer fazer a prova e em qual cidade ele vai fazer a prova".

O Presidente do Inep ainda completa dizendo que, nesses moldes, "no futuro o Enem vai levar à informatização das escolas".
Para Freaza, essa é uma transição inevitável, que "precisa garantir incluir todo o sistema educacional no Brasil e deve ser estruturada, mas a longo prazo". A presidente da Abave, Maria Helena, lamenta que "a escola particular tenha condições de funcionamento muito melhores, e o investimento feito em escolas públicas ainda seja muito menor".

Sobre a definição de data do Enem 2020, Lopes disse: "eu preciso ter a data para publicar o edital e garantir que a prova vai ser feita. O Enem envolve uma operação muito grande. Por isso, preciso de uma data da prova que oriente todo o processo de sua elaboração". Ele finaliza afirmando que "quando estiver tudo pronto, a gente volta a discutir a data".


Por Nyldo Moreira - Fala Criativa

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