Dilma não começou a cair no último domingo com a votação pró-impeachment, mas bem antes. Do ponto de vista da opinião pública, Dilma começou a cair quando prometeu uma coisa na campanha eleitoral e fez o oposto. Não foi a primeira presidente a fazer isso e nem a primeira a pagar um preço alto pela mudança de rota.  O eleitor não gosta de ser enganado.

Quando tomou posse pela segunda vez, em janeiro de 2015, seu governo ainda desfrutava de alguma popularidade. 40% dos brasileiros o avaliavam como ótimo ou bom conforme o Ibope-CNI. Anunciadas, quase que de surpresa, as primeiras medidas impopulares – como o aumento na conta de luz, da gasolina, restrições ao acesso ao seguro-desemprego – a avaliação positiva despencou. Em apenas algumas semanas do novo governo, já em março de 2015, a avaliação caíra para 12% de ótimo/bom. Afundou para não mais se recuperar. O governo Dilma é o pior avaliado desde José Sarney (1985-1990), com índices de 69% de ruim/péssimo, segundo o mais recente CNI-Ibope.

Nada disso teria acontecido, é claro, se a economia estivesse bem. Não é o caso. Se em janeiro de 2015 o brasileiro se mostrava, ainda, relativamente otimista em relação ao futuro do país, isso evaporou com a crise chegando ao cotidiano. A maioria das pessoas passou a acreditar que inflação e desemprego aumentariam e que a renda cairia. Metade dos brasileiros afirmou, em passado recente, ter medo de perder o emprego. Parcela significativa reduziu o consumo. A população não apenas sentiu a crise, como a associou à corrupção, o principal problema do país para mais de 30%. A situação está ruim porque roubam, parece ser o entendimento de grande parte dos brasileiros. O tipo de percepção fatal para qualquer Governo.

O que vem por aí, pelo menos do ponto de vista da opinião pública, também não sugere dias fáceis. 38% acreditavam, segundo o Datafolha de início de abril, que um futuro governo Temer seria ruim/péssimo; outros 58% queriam também seu impeachment.

Recuperar a confiança do brasileiro na política e no país será provavelmente uma longa jornada. Para ontem.

Texto de Rogério Jordão, em sua coluna no Yahoo
Imagem: Beevoz

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